Literatura infantil em cena: teatralização de Não me toca, seu boboca!

Duas mulheres, uma delas fantasiada com vestido roxo, aparecem para representar a apresentação de Não me toca, seu boboca!

Batemos um papo com a atriz e contadora de histórias Regina Bahia. Entre os projetos que ela conduz como presidente do Instituto Cultural Profetas em Arte (Profarte) e membro do grupo teatral Boca de Cena, ambos em Congonhas-MG, destacamos a teatralização de “Não me toca, seu boboca!”, dirigida por Wenceslau Coimbra. A obra de Andrea Viviana Taubman, ilustrada por Thais Linhares, cumpre um importantíssimo papel ao mostrar as crianças o que é a situação de violência sexual e o que fazer para evitá-la.

Fale um pouco sobre você, incluindo trajetória profissional e escolha pelo teatro e pela contação de histórias.

Sou presidente do Instituto Cultural Profetas em Arte (Profarte) e atriz do grupo de teatro Boca de Cena, em Congonhas. Apesar da minha formação em Direito e Magistério, construí minha trajetória no teatro, com conhecimento prático. Meus pais respiravam cultura e, por isso, tive influência em casa. Desde sempre, eu declamo poemas. Tive uma vida artística intensa, passando por dança, pintura, artesanato, canto e, finalmente, o teatro. 

Fale sobre a sua companhia teatral em Congonhas. Como é o trabalho desenvolvido por vocês?

O Instituto Cultural Profetas em Arte (Profarte) tem 36 anos. São vários “braços” de trabalho, sendo o Grupo de Teatro Boca de Cena um deles. A proposta é trazer novas ideias de cultura a partir da atuação, sobretudo, voluntária da equipe. Já são 25 anos e muitos projetos concretizados.

Contar história é uma delícia. Fazer isso com ludicidade faz parte de mim. No Boca de Cena, temos um trabalho chamado “Retrato de mulher”, em que apresentamos uma mensagem para as mulheres darem uma “sacudida”.

Estamos com concurso de poesias e contos. Instalamos a “Geloteca”, que é uma biblioteca de geladeira, no coreto do distrito de Alto Maranhão, em Congonhas. Chamamos a comunidade para cuidar dela. 

Como funciona o projeto de apresentação do livro “Não me toca, seu boboca!”?

Estamos com uma iniciativa para circular com o livro “Não me toca, seu boboca!” nas escolas. Estreamos a apresentação em 2019, no Festival de Inverno de Congonhas, mas suspendemos devido à pandemia. Agora, aprovamos o projeto com a Vale. Nos apresentaremos em 32 escolas em todo o município.

Por que a escolha do livro “Não me toca, seu boboca!”?

Quando eu estava fazendo um curso na Aletria, vi que sairia um conteúdo muito interessante para se trabalhar nas escolas. O momento sempre é atual para tratar este tipo de trabalho voltado à conscientização de todos sobre a violência sexual. E isso não só em escolas, mas também em outros segmentos. Fazemos apresentações temáticas com foco na conscientização social. A ideia é que a apresentação passe por outras cidades, integre outros projetos e festivais, principalmente em municípios menores da região. 

Qual é a importância de trabalhar temas como a situação de violência social, mostrando formas de evitá-la?

Usamos a apresentação de teatro como interferência social. O tema adverte, alerta, esclarece, aguça a curiosidade, além de despertar o olhar do professor e da criança sobre a situação delicada. Na apresentação, também colocamos “cacos” (espaços) no texto para motivar as crianças a falarem. A experiência é ótima para nós e para o público.

Como foi a recepção da história pelas crianças?

As crianças adoram. A apresentação é muito bem aceita. Estilizamos o Boboca para não assustar. Ao final, os alunos pedem para tirar foto. A experiência acrescenta muito para todos. Também pedimos aos professores para “dar uma clareada no conteúdo”, deixando-o acessível. 

Virão novas adaptações para o teatro de livros da Aletria? Comente sobre essa parceria.

Fiz oficinas de contação de histórias e dois cursos na Aletria. Tenho vontade de fazer mais. Trabalhar com a editora é a melhor coisa do mundo. Se eu pudesse, ficava nadando nos livros. Dá vontade de levar tudo para casa. Sempre peço e recebo indicações de livros adequadas ao público que queremos trabalhar. Estou de olho em outra obra da Aletria para encenarmos!

Adquira o livro “Não me toca, seu boboca”!