Aletria lança “O Céu de Baobá”, um reconto africano que nos ensina sobre “raízes”

A Aletria fechou o ano de 2021 em festa com o lançamento de “O Céu de Baobá”, escrito por Beatriz Myrrha, com ilustrações de Ana Cristina Maciel e Guili Seara. O evento, que aconteceu no dia 18 de dezembro na Livraria Outlet do Livro, em Belo Horizonte, contou com a apresentação de uma Cantata de Natal do Coral dos Desafinados, uma expisição de peças de Guili Seara, a contação de histórias da autora, além da apresentação do dançarino Evandro Passos.

A obra, que contou com recursos da Lei Aldir Blanc, é uma versão inédita de um conto africano sobre a origem do Baobá, uma árvore nativa da África, cujo tronco pode chegar a 20 metros de diâmetro. De aparência inconfundível, o Baobá tem um significado especial por causa de sua alta capacidade de armazenamento de água, que pode abastecer uma aldeia inteira, e por sua grandiosidade, que simboliza o próprio continente africano. Nessa versão do conto, o leitor terá a sensação de estar ouvindo a própria voz da contadora de histórias, Beatriz Myrrha.

A editora da Aletria, Rosana de Mont’Alverne explica que esse formato da narrativa bem próximo da história contada é um detalhe imprescindível na obra. “Fizemos questão de deixar a história exatamente da forma como a Beatriz Myrrha conta, então é a voz dela que está ali. Queremos que os leitores fechem os olhos e tenham a sensação que um griot (contador de histórias africano) está ali com eles contando aquela história”, diz. 

A autora afirma que, quando ouviu essa história pela primeira vez, quis imediatamente contá-la. E fez isso em diversos momentos e lugares. “Estudei muito sobre o Baobá e, na medida que fui contando essa história, também fui lapidando o texto. A ideia era chegar a uma narrativa que alcançasse todas as idades”, explica.

Para Beatriz, o conto africano tem mesmo uma potência que alcança a todos, não importa quantas vezes você escute a mesma história. “Todas as vezes que eu conto essa história eu aprendo com ela. É um conto que nos ensina sobre raízes, a nossa relação com a ancestralidade e com a divindade”, destaca.

Rosana de Mont’Alverne explica que esse é um típico “conto iniciático”, tão comum no repertório dos contadores de histórias, principalmente na África. “É um tipo de conto que inicia o público em algum conhecimento, que fala sobre fundamentos e explica como as coisas são. Além disso, é uma história que fala sobre nosso caminho de individuação, pois o Baobá se sente feio e pede ao Criador para mudar sua aparência. E qual de nós não nos julgamos feios, piores ou não merecedores em algum momento da vida?”, questiona.

Projeto gráfico brincante

Outro ponto de destaque no livro “O Céu de Baobá” é a narrativa visual. As ilustrações de Ana Cristina Maciel, feitas a partir de técnica mista, são bem-humoradas e leves. O projeto gráfico assinado por Guili Seara também é arrojado. Ele transformou algumas das ilustrações em esculturas de arame, que foram inseridas no livro por meio das fotografias de Miguel Aun. A partir de um jogo de luz, as imagens fazem referência ao Teatro de Sombras. Além disso, o leitor encontrará no livro uma página que se abre para mostrar a grandeza do Baobá.

Beatriz Myrrha explica que o processo de ilustração foi uma experiência muito bonita. Ela narrou a história para os ilustradores para que eles ouvissem a narrativa em sua voz. Eles foram contribuindo e as visões  foram somadas, de maneira que a construção foi compartilhada.

Para Ana, foi um “processo único, inovador e instigante”. “Agora a expectativa é ver o livro impresso, pois a gente trabalha na prancheta, mas quando pega o livro impresso é uma emoção muito grande”, diz.

Guili Seara explica que trabalhou as peças de arame a partir dos riscos dos personagens feitos pela ilustradora. Para as fotografias usou um cenário de Teatro de Sombras e projeção de cor de gelatinas cênicas coloridas. “Espero que o livro seja muito bem aceito pela riqueza de elementos plásticos e iconográficos e pela história maravilhosa. Estou muito feliz de ter participado desse projeto e ter tido liberdade de expressão incentivada pela Rosana de Mont’Alverne, que investiu em todas as ideias que tivemos nesse processo criativo! Espero que as crianças se divirtam bastante!”, afirma.

A editora da Aletria, Rosana de Mont’Alverne, conta que “deu carta branca para a criatividade de Guili Seara”, pois sabia que isso só enriqueceria a obra. “Gosto que os artistas brinquem quando trabalham em um livro e foi isso que o Guili fez. Esse é o último livro que a Aletria entrega em 2021 e é uma obra de arte, o grande presente de Natal que daremos aos nossos leitores”, conclui.

Confira o booktrailer: